Sua empresa não tem CTO. Quem garante que o sistema novo vai dar resultado?
Sem alguém que traduza o negócio em decisões técnicas e cobre o uso depois do go-live, o projeto fica nas mãos do fornecedor.
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Ninguém reforma um prédio só pagando a empreiteira. Sempre tem um engenheiro no meio, decidindo o que pode ser feito e conferindo o que foi entregue. Em projeto de tecnologia, essa cadeira quase sempre fica vazia.
Em média empresa sem CTO, o roteiro costuma ser parecido. O CEO aprova o projeto novo. O fornecedor entrega. E ninguém fica responsável por traduzir o que o negócio precisa em decisões técnicas, nem por garantir que seja usado depois do go-live.
O efeito aparece aos poucos. O fornecedor escolhe a arquitetura pelo que ele domina, e a conta chega quando a empresa quer trocar de parceiro ou integrar outra ferramenta. O projeto é dado como encerrado no dia em que entra no ar, sem meta de uso nenhuma. E a planilha antiga continua viva, com tudo lançado duas vezes.
Em agosto, a Kearney publicou um estudo com 102 executivos de grandes empresas: só 29% das transformações entregam de forma consistente o valor prometido. A barreira mais citada foi a resistência à mudança, à frente de orçamento, prazo e tecnologia. Sim, são empresas bem maiores que a média brasileira. Mas o número serve como alerta. Se quem tem orçamento e equipe dedicada acerta menos de um terço das vezes, quem não tem ninguém olhando para isso deveria se preocupar.
Cobrar o gerente de TI costuma ser injusto. Ele foi contratado para manter a operação de pé, não participa de onde se definem as prioridades e raramente tem autoridade para contestar o fornecedor.
Quem ocupa essa cadeira pode ser um CTO contratado, alguém promovido de dentro ou uma liderança de tecnologia fracionada, que atua alguns dias por semana. Cada caminho tem custo e limite diferentes. O que não funciona é deixá-la vazia.
Antes do próximo projeto, vale responder uma pergunta: quem, aqui dentro, tem conhecimento e autoridade para dizer que a entrega não está boa?
Se a resposta for "o fornecedor", a obra já começou sem engenheiro.